9.7.09

RG


Quando me viu a primeira vez, ele achou que eu fosse uma bailarina russa, branca e diáfana, bela e distante. Algumas horas depois, já sentados num boteco, ele me falou que por trás da bailarina russa, eu era mesmo uma Clementina de Jesus. Nunca me senti tão lisonjeada.

Ele vive me dizendo que eu sou engraçada e muito atrapalhada, que eu tenho uma lógica muito peculiar de fazer as coisas. Que eu sou uma espécie de Jaques Tati de saia, que se eu soubesse representar isso que eu sou, eu faria muito sucesso e ficaria muito rica. Ai se eu soubesse.

Ele me disse que nunca sabia se eu falava a verdade ou se mentia, que não confiava em mim, pois eu era uma mulher muito livre. Nunca entendi.

Você é muito charmosa, ele disse. Você tem um humor fino, uma ironia sutil. Mas essa intensidade toda com a vida é insuportável, ninguém aguenta. E foi embora. Faz tempo que não nos falamos.

3 comentários:

Untitled disse...

Lud,
A sua existência me emociona, assim como as coisas lindas que você postou aqui.
Parabéns, querida! Continue encantando e cutucando o mundo com o jeito Ludmila de ser.
Cheiro enorme!

Anônimo disse...

Lublin!!! Adorei o seu blog... assim fico pertinho de voce do jeito que posso e sei, que é assim mesmo de longe... fiquei curioso sobre quem sao estas pessoas dizendo estas coisas pra voce... fiquei tentando adivinhar: Pai Agenor, essa, essa, aquele, aquela... voce é tudo isso e muito mais... tao forte e tao frágil, tao pequena e tao grande, hahahahaha!!! Beijo enorme, cheio de saudades e promessas de de ler o que voce escrever aqui... mais beijos...
Mars

anakutner disse...

fiquei pensando coisas semelhantes , outro dia. a minha estabanação, por exemplo, é muito mais visível para outro.Quanto destas várias coisas de nós não vemos e quanto é o que podemos ser. Como não ser de jeito que somos? Fiquei pensando que se me visse na rua , me acharia mais esquisita, engraçada, do que acho que sou. Uma certa inconciência de nós mesmo pode nos dar um alívio....de nós mesmos.