14.6.17

Os passos

Tomo um chá e vou ao cinema. No caminho já sinto a estranheza. Pessoas se movendo em velocidades diferentes, tudo carecendo de sentido. Hoje estou tentando fazer literatura com minha vida e escrevo coisas canalhas. Mas não encontro nada nas palavras, que depois vou ler e achar ridículo.
Por que o filme não começa logo?
Quero ver o filme e entrar num mundo que não é o meu. Quero me esquecer. Minhas costas doem.
Quero ter alguma certeza. Não viver mais nessas horas vagas, quero ter o que fazer, pra onde ir, quem encontrar.
Os passos são lentos, dolorosos. Vem uma vontade estrondosa de empurrar as coisas. Pra depois.
As sementes foram plantadas na lama, em tudo que está úmido demais. Não crescem ainda. Tentam inromper, tentam brotar, custam, empurram, não são ainda. Estão querendo tornar, mas ainda não. E ainda dói, ainda é difícil, ainda não faz parte.
Os próximos passos. Os passos. As próximas horas. As horas.
Todos fazendo o mesmo. Todos batendo, cavando, sem descanso, contando com a sorte, com a fé, com o gênio.
Vou entrar no outro mundo pra ver se acho uma solução para a vida daqui.


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